Um belo dia você está de boa com seu celular, checando as redes sociais e o Neko Atsume e recebe a mensagem de um astronauta desconhecido, desesperado, porque a nave em que ele está acabou de cair, todo mundo está morto e ele não faz a menor ideia do que fazer. Assim começa Lifeline, game desenvolvido pela Three Minutes Games e disponível para iOS e Android.

A mecânica do jogo é simples: Taylor, o astronauta, precisa da sua ajuda para tomar decisões a respeito de como agir em um planeta desconhecido, e te manda mensagens de texto com duas opções de respostas possíveis. As mensagens podem chegar a qualquer momento do dia, e ele te avisa quando está em meio a uma ação (e portanto incomunicável). Taylor age como um “mestre”, explicando o cenário e narrando os desdobramentos de seus atos. Você deve apenas guiá-lo.

O game tem uma imersão legal, e eu ficava realmente preocupada quando Taylor demorava muito para entrar em contato. Porém acho que faltou explorar outros recursos que seriam possíveis entre duas pessoas se comunicando via smarphone: fotografias, aúdios, vídeos. Um pouco de multimídia ajudaria muito a aprofundar a atmosfera de terror espacial com que o game trabalha. Colaboraria com a suspensão da descrença também: fica meio forçado imaginar um astronauta mandando mensagens descritivas detalhadíssimas sobre como está fugindo de uma situação bizarra e desesperadora. Um aúdio com gritos e imagens borradas seriam mais eficientes nesse sentido.

Tive a impressão de que o jogo era muito fácil também: em algumas situações tomei decisões imprudentes por estar ocupada e querer me livrar logo das mensagens de Taylor e não tive grandes problemas para zerar o game. Fiquei com a impressão de qualquer solução seria aceita até conversar com amigas que jogaram e falaram que é possível se dar mal. Se você é pouco tolerante a notificações de mensagens e bichinhos virtuais, esqueça Lifeline: Taylor vai te demandar atenção e isso vai ser meio chato. Algumas pessoas próximas a mim começaram a zoar abertamente quando eu pedia um minutinho para responder ao Taylor. É preciso ser tolerante a um pouquinho de constrangimento para seguir adiante.

Lifeline vale pela proposta diferente e a história é bem desenvolvida. Recomendo para quem curte games narrativos e sci-fi em geral. Não é o jogo para matar o tempo no celular mas rende uma experiência divertida. Você vai aprender a gostar do Taylor.

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Designer, professora e mestra em arte digital. Viciada em literatura, cinema e cibercultura, encontrou nos games a união perfeita de todos os seus hobbies.