Jogos com motocicletas não são raros, mas são escassos principalmente na nova geração. Em uma época onde jogos como Forza Horizon 2 e Gran Turismo fincam suas bandeiras como os mais conhecidos jogos de corrida, e outros como Project CARS chegam agradando o público, motocicletas podem ser um diferencial para quem pretende fazer parte desse grupo. Motorcycle Club, desenvolvido pela BigBen Interactive para PC, Xbox 360, PS3 e PS4, teria tudo para garantir seu espaço ao sol.

Ter e gerenciar o seu próprio clube de motoqueiros, participar de torneios, dirigir motocicletas de diversas marcas como Honda, Kawasaki e Suzuki – devidamente licenciadas para o jogo – em inúmeras pistas entre os Estados Unidos e Japão é uma premissa interessante para quem é fã de motos ou só quem tem a curiosidade de jogar. Mas a execução de Motorcycle Club falha em praticamente todos os sentidos.

Logo no começo do jogo fica claro ao jogador a pobreza de funções disponíveis: os menus Clube, Motos, Corrida e Opções. Cada categoria abre novas opções, cada uma com sua peculiaridade. A de corridas se abre para as mais óbvias escolhas: torneio, corrida livre, e multiplayer. Já a de motocicletas chama a atenção por um detalhe interessante, onde você escolhe quais os tipos de motos você vai utilizar em suas corridas, sendo uma customizada, uma casual e uma superveloz, mas isso só depois. No começo do jogo você fica limitado a ter uma de cada.

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Sua garagem e suas motocicletas: maneira repetitiva de ganhá-las.

Comprar motos e escolher as pistas é mais difícil do que parece. Para isso você precisa correr e assim desbloqueando créditos e pontos (kudos) nas partidas para então comprar novos veículos e abrir novas pistas. E é nas partidas que Motorcycle Club comete o seu maior pecado: a sua jogabilidade.

Mesmo com ótimos gráficos que fazem falta em diversos jogos de corrida e cenários que deixam o ambiente ainda mais realista, correr é de longe o seu maior desafio. A movimentação da motocicleta na pista é estranha e não dá nenhuma sensação real ao pilotar uma motocicleta (mesmo que você nunca tenha pilotado uma), onde rampas de alta velocidade e elementos que transformam um jogo de motocicletas em uma espécie de Super Hang On com Sonic the Hedgehog. E aí entra uma das mecânicas mais desnecessárias em uma corrida: a possibilidade de alternar as motos que você escolheu para andar em determinadas pistas e garantir certos desafios que aparecem na sua extensa lista de coisas-para-fazer-no-jogo. Sim, estamos falando daquelas motos que você escolheu em sua “garagem”.

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Alternar motos e desafios durante a partida: conquista desbloqueada

Além da jogabilidade falha, as corridas não são nem um pouco atraentes. Mesmo que você dispute o primeiro lugar no pódio, os oponentes vão bater em você (ou vice versa), e o retorno na pista é bizarro. Os desafios encontrados nas corridas, como empinar a moto na linha de chegada ou chegar em último lugar na corrida (??) são desnecessários e só servem para desbloquear conquistas no console. Esqueça trilhas sonoras no jogo, elas são inexistentes. E espero que você goste de ouvir o som estridente do motor de motocicleta, pois é a única “música” que vai te acompanhar durante as corridas.

Apesar de sua mecânica absurda, não pense que gerenciar um motoclub seja tão interessante assim. Motorcycle Club apresenta pouquíssimas opções – basicamente você apenas ganha pontos nas corridas e gasta em motos e pistas. O máximo de customização que você consegue em seu clube é alternar as cores das roupas de sua suposta equipe e escolher qual a imagem/logo do seu clube, enquanto encara um barman com a cara do Jason Statham vestido de motoqueiro que não faz absolutamente nada.

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Olá, Jason. Uma cerveja e uma customização no capacete, por favor.

De uma maneira geral, Motorcycle Club é um verdadeiro potencial desperdiçado. Com uma temática difícil de encontrar em jogos do tipo – gerenciar uma equipe ou um motoclube poderia te dar infinitas possibilidades – o jogo perde todas oportunidades que teve em se tornar um grande jogo, seja enfrentando rivais nas pistas, seja dirigindo nas estradas. A alternância entre tipos de motocicletas piora ainda mais a jogabilidade falha que o jogo oferece, e as missões simples e desnecessárias para as partidas dá a impressão de um jogo com anos de atraso para ser lançado para consoles mais antigos, e talvez funcionaria melhor em smartphones e tablets. A premissa é ótima, mas é uma decepção para os fãs de velocidade em duas rodas.

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Teve seu primeiro contato com um Atari 2600 aos 5 anos, e desde então nunca mais parou. Fanático por RPGs, jogos de ação e old games como Sonic e Castlevania, está sempre jogando quando o tempo permite - ou quando seu trabalho como designer não impede de se divertir.