Quando era mais novo, em uma época onde jogos em Flash faziam um estrondoso sucesso pela internet graças aos inúmeros trabalhos publicados no Newgrounds, tinha um game que eu gostava bastante de jogar (principalmente no trabalho) conhecido por Divine Intervention. A história é simples e bem comum, principalmente para um jogo nessas condições: você controla um padre que está em uma cidade infestada de zumbis-demoníacos-do-inferno, e como um bom padre terá que executar uma intervenção divina nesta situação. Deus o designou a fazer esta limpeza com uma pistola que ficava guardada em uma bíblia e agora será usada de maneira invejada por muitos brucutus do cinema.

Ok, você deve estar pensando o quanto isso pode ser um absurdo. E não acaba por aí: os inimigos do jogo são bem mais divertidos do que essa história, e vão desde crianças até monstros gigantes e cada um com sua particularidade – uns são mais rápidos e fracos, outros fortes e resistentes. Temos um garoto de patins que arranca sua cabeça, a garotinha com duas facas… que te esfaqueia, o jagunço estiloso que pega seu braço e envia no seu peito, o padre do Demo que te queima a cara com um “Behold! Optic Blast!” só que pela mão deixando somente o esqueleto com um pouco de carne, um mendigo-demoníaco-da-lixeira-infernal que joga uma tampa de lixeira parecendo com um shuriken te cortando ao meio, e por fim o demônio-gordo-rosa-voador-gigante que mata de várias maneiras bem iradas como por exemplo o “Raikouken” do Benimaru Nikaido, só que vem do céu e que explode a cabeça do padre se for atingido. Chega a ser óbvio que, com inimigos tão bizarros como esses, as mortes são divertidas e dão ainda mais graça ao jogo. O que mais fascina é que assim como na vida real, ao ser ferido por um zumbi-demoníaco-do-inferno você não terá condições de se salvar – como já foi explicado no filme Demons do Dario Argento. Não conhece? Então vai assistri! – e o padre será morto com apenas um golpe. O resultado é começar a fase novamente.

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Mendigos-zumbis-do-inferno saindo de lixeiras. Isso é coisa do capeta mesmo.

O cenário é muito bem trabalhado deixando qualquer um amedrontado, se for jogar de noite então nem se fala dá até calafrio só de lembrar – só que não. Um detalhe bem interessante, quando você estiver passando por uma fase que tem um cinema, tem um cartaz do filme Fome Animal (Dead Alive) do Peter Jackson, que em minha opinião é um dos melhores filmes de terror. Ah! O Macaco-Rato mandou um beijo pra você que está lendo este review.

Assim como em qualquer tipo de jogo (e também filme de ação, terror ou o que você preferir), o padre conta com a ajuda de um coroinha que entrega novas armas, alternando entre pistola, submetralhadora e até uma escopeta de cano serrado. Caso não for muito com a cara do gordinho abestado basta enfiar uma azeitona na cabeça dele, ao fazer isso irá aparecer um “X” que não acarreta em nada, então é claro que o bacana é fazer que nem no jogo Blackthorne, depois que você passa dá um pipoco.

O mais engraçado a se pensar de Divine Intervention é: como um jogo criado em Flash chega a ser tão divertido e tão desafiador? O responsável por isso é, com certeza, a sua jogabilidade – você movimenta o padre com o teclado e atira usando o mouse. E se não der os tiros corretamente nos personagens, a chance de morrer aumenta ainda mais. É de se esperar que a jogabilidade não seja incrível, mas isso faz o jogador melhorar a sua habilidade para prosseguir no jogo.

Divine Intervention foi criado em 2003 por Jim Bonacci e, brincadeiras a parte, pra quem passou pela fase de jogos em Flash, esse game com certeza se tornou um clássico da época, e como não poderia deixar de citar (cuidados, SPOILERS!) o final que não foi concluído, aparecendo o TO BE CONTINUED com a menina olhando pra traz até hoje não recebeu a sua continuação. Apesar de existir uma gama de pessoas que assim como eu aguardam a sua sequencia (e já fazem 10 anos e não tem previsões), eu tenho uma fé divina de que um dia Divine Intervention chegue aos grandes consoles se tornando o game mais incrível de todos os tempos pela sua diversão única de um jogo que, apesar de ter um conceito tão simples, chega a divertir mais do que muitos jogos lançados em meados dos anos 2000.

Enquanto não acontece uma intervenção divina para uma possível versão aos consoles, você pode jogar Divine Intervention diretamente no site do Newgrounds clicando aqui. Divirta-se!

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