A capacidade de comover quem o joga ou até mesmo quem somente assiste ao game. Dar boas risadas com divertidíssimos diálogos, sentir saudade de um cão que você nunca viu, se perder em uma floresta e sentir isso mesmo sabendo que você está no conforto da sua casa. Entre os jogos indies mais promissores de 2016, Firewatch é, definitivamente, o meu mais aguardado. O jogo que me emocionou, me empolgou e me prendeu do seu começo ao seu final.

Mesmo sendo fruto de uma desenvolvedora completamente nova, a Campo Santo, Firewatch trouxe algo que é especialidade dos veteranos presentes nela: uma incrível narrativa. Tão boa que faz você questionar seus princípios e se apaixonar por uma voz, assim como o papel de Joaquim Phoenix em Ela. Apesar de curto, essa é a grande vitória do jogo, a de trazer uma profunda exploração a razão humana e suas relações.

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Nós assumimos o papel de Henry, um homem com seus quarenta e poucos anos que decide trabalhar como guarda florestal no Parque Nacional de Shoshone. Henry nunca foi um boina verde que preferia viver isolado dos selvagens da cidade grande e viver com seus pensamentos e a simplicidade da natureza a sua volta, muito menos um fugitivo que queria começar uma nova vida em paz.

Então por que Henry decide deixar Bolder, Colorado, para viver em meio a floresta completamente isolado de toda civilização? Ele acerta até na hora de colocar o jogador dentro da trama, quando uma mecânica simples, graciosa e muito envolvente é aplicada. Com simples diálogos e escolhas, os desenvolvedores vagarosamente vão fazendo o jogador ir guiando a vida do protagonista através de grande parte de sua vida adulta até o motivo pelo qual ele decide se isolar em Shoshone. A maneira com que isso é feita é tão delicada e gostosa que faz o jogador se engajar para o que tem por vir.

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Quando chegamos a Wyoming, com nada além do que sua torre que lhe serve como base de operações – uma mochila, um mapa, uma bússola e um rádio, pelo qual se comunica com sua supervisora Delilah, aparentemente sua única companhia nessa jornada.

A direção de arte do jogo é simplesmente maravilhosa. Os criadores do jogo decidiram construí-lo com texturas simples e menos realistas, com muita cor, luzes, sons e uma série de detalhes, fazendo com que Firewatch não seja só um jogo, mas também uma obra de arte visual. Um espetáculo gráfico, mesmo não sendo nada inovador.

A trilha sonora do jogo é um show a parte, não existe nenhuma trilha encaixando errado ou que eu consiga pensar em algo melhor para tais momentos. A música é utilizada aqui de maneira impecável, com uma precisão quase cirúrgica, trazendo à tona o que o jogador sente naquele momento em especial.

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As mecânicas de jogo são bem simples. Não existem grandes movimentações, parkour ou qualquer coisa parecida. Basicamente o jogador irá navegar a floresta, se localizar através do mapa ou da bússola, pular alguns obstáculos, pegar alguns objetos, escalar, interagir com Delilah pelo rádio e explorar o mapa.

Falando na Delilah, a química entre ela e o Henry é muito clara (e o diálogo entre eles é algo magnifico, um dos pontos mais altos do jogo). O relacionamento entre os dois é algo genuíno e vai se tornando cada vez mais sólido, onde eles descobrem um no outro um senso de humor parecido, um apreço pela companhia e muitas confissões, uma amizade que surge e o desenvolvimento de confiança mutua.

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Firewatch não é um jogo longo, algo que dura em torno de 5 horas. Mas isso não é importante. É tempo suficiente para trilhar caminhos que surpreende em vários pontos ao utilizar diversos artifícios como lapsos temporais, um abuso de paranóia, diálogos de desconfiança e cortes diretos que causam desnorteamento. Isso torna Firewatch uma experiência tão suave e delicada, algo tão denso, estranho e sombrio.

Chegar ao fim do jogo é inevitável que você se sinta emocionado, mas depois de se recuperar, infelizmente, vem uma sensação de que ficou faltando algo, um gosto de quero mais – as coisas se encaixam ou não? Não cabe entrar nesses detalhes, pois não existe maneira de explicar sem que você jogue (dar spoilers acabaria arruinando a experiência do jogo).

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Firewatch é recheado de pontos positivos, mas o que se destaca é sua história. A maneira que ela se desenvolve é linda, o jeito que os conflitos são expostos é empolgante e envolvente. O jogo é, sem sombra de dúvidas, um deleite visual com uma trilha sonora inspiradora, e a maneira como somos conduzidos durante o jogo é delicada, a ponto do jogo incorporar nossas respostas e como ele vai trazendo a tona toda a sua narrativa de maneira sutil. Se podemos dar uma rasa definição de Firewatch, é uma busca pela nossa própria natureza: tão selvagem e tão humana.

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Faz uns vídeos pro YouTube no DOI2BITS. Seu primeiro vídeo game foi um Mega Drive e desde então sempre jogou videogame. Viciado em jogos MOBA e FPS online.